Edição de aniversário
Uma boa Defesa exige investimentos
Na virada
do ano, passados os festejos tradicionais e depois de fazermos um balanço
das conquistas obtidas, é hora de traçarmos novos objetivos para
nossas vidas e os meios necessários para atingi-los. Assim também
o é, ou deveria ser, na esfera governamental no trato do dinheiro público,
mais precisamente na aplicação dos recursos previstos no Orçamento
da União. Apesar das promessas de campanha, o presidente Lula deixou
a desejar no que diz respeito a área da Defesa. Logo no início
do mandato, suspendeu a licitação dos caças para a FAB,
só retomada em outubro passado. A seguir vários recursos destinados
ao reaparelhamento das três Armas ficaram contingenciados, depois nova
ameaça de dispensa antecipada dos recrutas e por fim ainda tivemos o
lamentável desastre em Alcântara, quase vitimando também
nosso programa espacial. A bem da verdade o problema não é novo
e nem podemos impultá-lo ao atual presidente. A situação
de penúria para a área militar completa quase duas décadas
e as medidas recentes só aumentaramm a sua gravidade. Em setembro de
2002, em um artigo entitulado Forças
Desarmadas já citava a situação difícil,
em verbas e equipamentos, de nossas Forças
Armadas e o dilema que atormentava o governo sobre as prioridades para investir
os parcos recursos. Embora
o Orçamento militar tenha crescido 50% nos últimos oito anos,
as despesas com a folha de pagamento, principalmente aposentadorias, também
aumentaram deixando muito pouco para investimento e custeio.
O gasto da Defesa em 1995 ficou em R$ 16 bilhões e no ano passado em
R$ 27 bilhões, sendo que 65% destes valores comprometidos em despesas
com pessoal. No relatório anual do SIPRI, de Estocolmo, o Brasil figura
em 14º lugar, na lista dos maiores orçamentos militares, representando
1% da despesa mundial do setor. Os Estados Unidos sozinhos responderam por 43%
e os cinco países seguintes na lista juntos (Japão, França,
China, Grã-Bretanha e Alemanha) por outros 23%. Historicamente nossos
gastos no setor têm ficado em torno de 2% do PIB e se não são
imensos, pelo menos são maiores do que de Israel, e próximos aos
da Rússia, Turquia e Índia, todos com pesados investimentos em
aquisição e modernização de seus armamentos. Analisando
estes números, temos que equacionar o problema, cumprindo as obrigações
com os servidores militares, sem deixar de lado o desenvolvimento e a compra
de armas modernas. O Brasil deveria criar uma lei que determinasse um percentual
fixo dentro do orçamento militar, que só seria utilizado para
P&D e novos equipamentos, com planejamento plurianual, como já existe
no Chile. Assim não haveria atrasos em programas fundamentais como o
submarino brasileiro SMB-10, o míssil anti-radiação MAR-1,
o projeto FX da FAB ou novos
veículos blindados sobre rodas para o Exército. Esperamos que
em 2004 seja diferente, pois ter uma Defesa eficiente e respeitada custa caro,
mas sempre será muito pouco diante da tarefa de proteger nossa soberania.
Aproveito o momento para agradecer mais uma vez aos milhares de internautas, apaixonados por temas militares como eu, que continuaram a nos prestigiar em 2003, coroando mais um ano na Web. Em 2004 partimos com força total para nosso terceiro ano, ininterrupto, neste fantástico ambiente virtual, agora também com a versão em língua inglesa para melhor atender aos amigos do exterior. Muito obrigado a todos e o sincero desejo de um ano novo pleno de realizações.