Dia D - O príncipio do fim
Como o desembarque na Normandia selou o destino da Alemanha nazista.
6 de junho de 1944 < 60 ANOS > 6 de junho de 2004
A invasão
da França pelos Aliados, no dia 6 de junho de 1944, assinalava o clímax
estratégico e emocional da Segunda
Guerra Mundial. Para a Grã-Bretanha e os Estados Unidos a invasão,
codinome "Operação Overlord", era o fim de quase cinco
anos de derrotas, luta, sofrimento e algumas vitórias conquistadas a
duras penas. Para os alemães era vencer ou morrer, repelir o inimigo
na França ou a catástrofe inevitável. Os invasores cruzariam
o Canal da Mancha em 5.300 navios e embarcações, a maior esquadra
de todos os tempos. Cerca de 12.000 aviões dariam o apoio aéreo,
bombardeando as defesas nazistas, lançando pára-quedistas, destruindo
pontes e ferrovias. Nas primeiras 48 horas, seriam desembarcados 107.000 homens,
14.000 viaturas e 15.000 toneladas de suprimento ao longo de 100 km de praias
entre Caen e Cherburgo. Os alemães sabiam que o ataque era iminente,
pois seu serviço secreto havia conseguido penetrar na rede subterrânea
franco-aliada e trataram de reforçar suas defesas. O General
Erwin Rommel coordenava os trabalhos, reforçando a "Muralha
do Atlântico" com canhões navais instalados em casamatas de
concreto, minando as praias, colocando obstáculos submarinos (minas Teller
e estacas), concretando e cercando as encostas com arame farpado, e semeando
ao longo da costa centenas de pequenos canhões. Mas os Aliados tomaram
precauções para iludir os espiões inimigos: caminhões
e tanques de madeira foram agrupados em um ponto da costa inglesa para induzir
os alemães a acreditarem que o ataque seria em Calais, mais ao norte;
simulacros de embarcações congestionavam o Tâmisa; e uma
falsa movimentação de tropas e veículos também foi
encenada. Na madrugada do dia 6 de junho, a esquadra navegava pelo mar encapelado
do Canal com todas as luzes apagadas, enquanto milhares de pára-quedistas
com suas faces pintadas de negro subiam nos aviões de transporte, minisubmarinos
emergiram conforme o combinado marcando com luzes de baixa intensidade os pontos
de desembarque e os precursores eram lançados para marcar as zonas de
salto da tropa principal.
No dia anterior, o comandante naval alemão achava que a maré e
as condições meteorológicas eram desfavoráveis à
invasão e a inteligência ignorara mensagens interceptadas, como
a transmissão pela BBC de uma mensagem em código para o início
do ataque: "A flecha fura o aço". O
desembarque ocorre em cinco pontos da costa francesa, cujas praias foram denominadas
Gold, Sword, Utah, Omaha e Juno, pegando a maior parte das tropas alemães
de surpresa, cujo corpo principal estava mais ao norte, prevendo que a invasão
seria no estreito de Calais, menor distância entre os dois países.
Mas, apesar disso, nada foi fácil. Em todos os setores houve forte resistência,
as lanchas eram recebidas com fogo pesado antes mesmo de abrirem suas rampas
para os homens descerem e quando estes conseguiam fazê-lo estavam com
água pela cintura, quando não se chocavam com minas submarinas.
Os carros de combate tinham dificuldade de chegar à praia, devido ao
mar revolto. Os destroços espalhados por toda parte dificultavam ainda
mais a travessia. Mesmo os pára-quedistas, à retaguarda da "Muralha",
foram lançados de forma muito dispersa, demorando ou nem conseguindo
reagrupar-se para coordenar uma ofensiva. Em Omaha a situação
foi desesperadora, pois havia uma pequena faixa de areia e seixos, com as saídas
para o terreno elevado minadas e fortemente defendidas, contornada por penhascos
de onde metralhadoras alemães dizimavam todos que ousassem levantar a
cabeça do chão. Passados estes primeiros momentos de terror, entra
em cena a bravura e o heroísmo de muitos, que sobrepujaram todas as adversidades,
avançando sobre o inimigo com destemor, salvando a vida de seus companheiros
e liderando-os encosta acima. Ao final do "Dia D", o mais longo dos
dias, as perdas Aliadas foram estimadas em 10.600, entre mortos e feridos, e
os alemães perderam cerca de 9.000 homens. No mês seguinte ao desembarque
estarão em solo francês mais de 900.000 soldados americanos e ingleses,
177.000 veículos e 600.000 toneladas de suprimentos, para iniciar uma
ofensiva para libertar a França e expulsar as tropas nazistas em direção
a Berlim, enquanto os soviéticos as pressionavam pelo leste, fazendo
o Terceiro Reich, que deveria durar mil anos, ruir.
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