"O Mistel ataca"

Uma das armas mais estranhas da unidade especial da Luftwaffe para missões clandestinas.


Mistel, a arma secreta de Hitler. Em março de 1945, os artilheiros soviéticos que defendiam as cabeças-de-ponte no rio Oder não acreditavam no que os seus olhos viam. Ao longe avistava-se um avião com uma estranha silhueta. O aparelho picou em grande velocidade e depois pareceu dividir-se em dois, a parte menor virou, afastando-se bruscamente, enquanto a maior continuava a se aproximar. O que os russos não sabiam é que estavam sendo atacados pela maior bomba desenvolvida na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, uma bomba voadora com características muito particulares. Durante boa parte do conflito a Luftwaffe não teve um bombardeiro pesado de longo alcance, que tivesse grande autonomia e pudesse carregar uma quantidade razoável de bombas. O Mistel parecia ser a resposta às suas necessidades e a teoria era simples: um bombardeiro bimotor, não pilotado, seria repleto de explosivos e conduzido até o alvo por um avião menor, montado sobre o dorso. As primeiras experiências começaram em 1942. Nos primeiros vôos do Mistel usou-se um avião ligeiro de ligação sobre um planador rebocado por um Ju-52 e os testes levaram ao protótipo Mistel 1, uma combinação de caça e bombardeiro. O conjunto de aviões Bf 109 (caça) / Ju 88G (bombardeiro) foi o primeiro a entrar em serviço e teve seu batismo de fogo pouco depois do desembarque na Normandia, em junho de 1944, quando os Mistel 1 baseados na França realizaram ataques contra os cais flutuantes ao longo das praias e contra a navegação aliada na foz do rio Sena. A escassez de aviões Ju 88G levou ao desenvolvimento do Mistel S.3A, usando-se o conjunto Fw 190 / Ju 88A-6, porém com alguns problemas operacionais, pois os aviões usavam combustíveis diferentes e acabaram sendo utilizados somente para treinamento das tripulações. Os novos caças Ju 88 Zerstörer foram usados como componente inferior do Mistel. O modelo final foi a Fuehrugsmaschine, qua acoplava um caça Fw 190A-8 a um Ju 88
H-4, que deveria funcionar como uma aeronave de guia e exploração de grande alcance.

Mistel, a bomba voadora  do desespero nazista. Sua operação basicamente dava-se desta forma: o piloto do caça pilotava o conjunto utilizando os motores do bombardeiro até o momento da separação, assim ambos os componentes aumentavam o seu raio de ação, o bombardeiro porque não tinha de voltar e o caça porque não gastava combustível na ida; o componente superior do Mistel dispunha de uma segunda série de instrumentos e comandos para os motores do componente inferior, ligados entre si por cabos elétricos que passavam por dentro das hastes de aço que os uniam; ao chegar perto do alvo, o piloto regulava os comandos do componente inferior para poder se aproximar do alvo em vôo planado e a separação efetuava-se através de um sistema pirotécnico. Como bombas voadoras, os velhos Ju 88 eram impressionantes: seu cockpit original foi substituído por uma ogiva de carga oca de 3,8 toneladas, com um detonador sofisticado que a fazia explodir um pouco antes de atingir seu objetivo. Durante testes, a carga tinha perfurado, sem dificuldade, até 8 metros de aço e 20 metros de cimento armado reforçado. Os primeiros Mistel entraram em serviço em maio de 1944 numa unidade especial da Luftwaffe, a KG 200, encarregada de atacar alvos estratégicos para tentar deter o avanço dos Aliados. Após a Normandia, os Mistel só voltaram a ser utilizados em 1945, quando a situação da Alemanha ficou desesperadora. Foi então planejado um ataque contra as usinas elétricas nos arredores de Moscou, que foi posteriormente abandonado, e os Mistel foram então utilizados no esforço inútil de bloquear o avanço do Exército Vermelho, destruindo pontes rodoviárias e ferroviárias. Durante algumas semanas pareceu que os Mistel estavam fazendo milagres, mas o sucesso era ilusório. O inimigo soviético era forte demais e as inusitadas bombas voadoras eram como gotas d'água num incêndio devastador. Foram fabricados pelo menos 250 Mistel e muitos foram capturados intactos após a capitulação da Alemanha.


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