A unidade foi idealizada pelo Capitão Theodor von Hippel
que, após ter sua ideia rejeitada pelas Forças
Armadas, procurou o Almirante Wilhelm Canaris, comandante
do serviço de inteligência alemão a Abwehr,
a quem propôs a criação de pequenas unidades,
treinadas em sabotagem e fluentes em línguas estrangeiras,
que pudessem operar atrás das linhas inimigas e causar
estragos nas estruturas de comando, comunicação
e logística do inimigo. Inicialmente, Canaris opôs-se
à proposta, mas algum tempo depois o Estado-Maior do
Exército emitiu uma diretriz autorizando a criação
de "uma companhia de sabotadores para o Ocidente".
Como parte do 2º Departamento da Abwehr, Hippel foi encarregado
de criar a unidade. Oficialmente denominada Bau-Lehr-Bataillon
z.b.V. 800 (800º Batalhão de Instrução
de Engenharia para Missões Especiais). No entanto,
a designação pela qual a unidade ficou mais
conhecida posteriormente, "os Brandenburgers",
derivou do nome de seu primeiro aquartelamento permanente,
nos arredores da capital Berlim, no Estado de Brandenburgo.
O treinamento dos homens da unidade variava de cinco a sete
meses e incluía instrução em reconhecimento,
natação, combate corpo a corpo, demolições,
tiro com armas alemãs e aliadas, táticas convencionais
de infantaria e outros treinamentos especializados. A maior
parte do pessoal era fluente em outros idiomas, o que lhes
permitiu, por exemplo, infiltrar-se nos Países Baixos
em 1940 disfarçados de tripulações de
barcaças holandesas, pouco antes do início da
invasão. Em 1941, eles precederam a invasão
da Iugoslávia operando secretamente como trabalhadores
sérvios. Na noite anterior ao início da Operação
Barbarossa, homens do Regimento Brandenburgo cruzaram a fronteira
soviética disfarçados de trabalhadores soviéticos
e soldados do Exército Vermelho. Outros vestiam trajes
árabes para realizar o monitoramento de navios de guerra
aliados que atravessavam o Estreito de Gibraltar, antes do
deslocamento da Wehrmacht para o Norte da África.
Da mesma forma, o Departamento II da Abwehr, ao qual a unidade
estava subordinada, possuía subcomponentes distintos
para operações do Exército, da Marinha
e da Força Aérea. Muitos dos integrantes do
Brandenburgo eram figuras pouco convencionais, dificilmente
classificáveis como soldados tradicionais, em grande
parte devido à natureza de suas operações.
Eles se infiltravam em formações militares inimigas,
anulavam ordens secretamente, redirecionavam comboios militares
e interrompiam comunicações, tudo isso enquanto
coletavam informações de inteligência.
À frente das forças que invadiam a URSS, seus
agentes tomavam pontes e instalações estrategicamente
importantes em missões clandestinas que duravam semanas,
até que se reunissem às forças alemãs
que avançavam.
Apesar da aparente falta de experiência prévia,
as exigências impostas a esses comandos recém-formados
eram elevadas. Era obrigatório que fossem voluntários
para essa função, esperava-se também
que fossem ágeis, capazes de improvisar, dotados de
iniciativa e espírito de equipe, altamente competentes
em línguas estrangeiras e no trato com cidadãos
de outras nacionalidades, além de capazes de desempenhos
físicos extremamente exigentes. Na noite anterior à
invasão da Polônia (Plano Branco), em setembro
de 1939, pequenos grupos de forças especiais alemãs,
vestindo trajes civis, cruzaram a fronteira polonesa para
tomar pontos estratégicos-chave antes do amanhecer
do dia da invasão. Isso fez deles a primeira unidade
de operações especiais a entrar em ação
na Segunda
Guerra Mundial. A Polônia foi um começo,
mas sua verdadeira contribuição para o esforço
militar alemão veio durante a invasão do Ocidente
em 1940. Em 8 de maio de 1940, os Brandenburgers,
vestindo uniformes holandeses, cruzaram a fronteira com a
Holanda. Seu alvo era a ponte sobre o rio Meuse em Gennep.
Às 2h da manhã do dia 10 de maio, justamente
quando as forças alemãs começavam a cruzar
a fronteira, o tenente Wilhelm Walther iniciou o ataque. Ele
e seus homens estavam disfarçados de policiais militares
holandeses escoltando vários prisioneiros alemães.
Os oito pegaram os defensores da ponte de surpresa e dois
postos de guarda foram destruídos. No entanto, três
comandos ficaram feridos e os postos do outro lado da ponte
ainda estavam em mãos inimigas. Em seu uniforme holandês,
Walther avançou sobre esses postos e os defensores
hesitaram, não querendo atirar em um dos seus. Isso
provou ser um erro fatal, pois os postos foram destruídos
e os detonadores tomados, justamente quando os primeiros tanques
Panzer chegaram para consolidar a vitória. Um pelotão
de soldados do Regimento participou da Operação
Weserübung, a invasão da Escandinávia em
abril de 1940, durante a qual asseguraram instalações
estratégicas na Dinamarca e na Noruega. Durante as
invasões da Bélgica e dos Países Baixos
na primavera de 1940, as unidades Brandenburgo revelaram-se
essenciais para a tomada de pontos vitais à frente
dos Panzers do General Guderian. Por seus
feitos, os Brandenburgers figuraram entre as unidades mais
condecoradas dos exércitos invasores alemães,
conquistando a admiração do chefe da Abwehr,
Almte. Canaris. Em 6 de abril de 1941, durante a Operação
Marita, a invasão dos Balcãs, os os coandos
conseguiram tomar a ponte estrategicamente importante sobre
o rio Vardar e também asseguraram o desfiladeiro no
rio Danúbio que forma parte da fronteira entre a Sérvia
e a Romênia. Pouco depois, capturaram a ilha de Eubeia.
Outras missões foram exigidas dos Brandenburgers
durante a fase inicial da invasão da União Soviética,
em junho de 1941, visto que foram os primeiros a cruzar a
fronteira, destruindo instalações de energia,
cortando linhas de comunicação, disseminando
desinformação e ativando "agentes adormecidos".
Sua ação mais notável foi a tomada das
pontes sobre o rio Daugava, em Daugavpils, em 28 de junho
de 1941. Na ocasião, integrantes da 8ª Companhia
dos Brandenburg Kommandos atravessaram a ponte em
um caminhão soviético capturado, renderam os
guardas e mantiveram a posição por duas horas,
resistindo a intensos contra-ataques soviéticos. Os
homens do Regimento também atuaram no extremo norte
da Frente Oriental, em uma operação pouco conhecida
contra Murmansk. No final de 1941, o General Schoerner foi
convocado ao quartel-general do General Dietl. Dietl, na época,
comandava o Exército da Lapônia e estava com
dificuldades para capturar o porto de Murmansk. Schoerner
elaborou um plano para levar uma equipe de comandos Brandenburger
especialmente treinada para o interior das áreas de
retaguarda soviéticas na Carélia central ou
do norte, com o objetivo de interromper ao máximo o
tráfego ferroviário de Murmansk. A meta de Schoerner
era destruir o máximo possível de mercadorias
do programa Lend-Lease dos
EUA que estavam sendo descarregadas em Murmansk.
Ele queria concentrar seus esforços iniciais em uma
pequena região da Carélia, mas os superiores
de Dietl expandiram o plano operacional para incluir a destruição
de diversas pontes ferroviárias de Murmansk e usinas
de energia regionais. No início de agosto de 1942,
uma unidade Brandenburgo composta por 62 alemães do
Báltico e dos Sudetos, liderada por Adrian von Fölkersam,
penetrou mais profundamente em território inimigo do
que qualquer outra unidade alemã. Eles haviam recebido
ordens para tomar e assegurar os campos de petróleo
vitais de Maikop. Conduzindo caminhões soviéticos
e disfarçados como agentes da NKVD, a unidade de Fölkersam
atravessou as linhas de frente soviéticas e avançou
para o interior do território hostil. Logo depararam-se
com um grande grupo de soldados do Exército Vermelho
que fugiam da frente de batalha. Fölkersam viu ali uma
oportunidade de tirar proveito da situação,
ele conseguiu unir-se a eles e movimentar-se quase livremente
pelas linhas soviéticas. Em 8 de agosto, com o Exército
Alemão a apenas 19 km de distância, seus homens
entraram em ação. Usando granadas para simular
um ataque de artilharia, eles destruíram o centro de
comunicações da cidade. Fölkersam então
foi até os oficiais russos da guarnição
e informou-lhes que uma retirada estava em curso. Tendo visto
ele com o comandante soviético e sem qualquer comunicação
com o restante do Exército Vermelho, os soviéticos
acreditaram em sua história. Os russos partiram e o
Exército Alemão entrou em Maikop em 9 de agosto
de 1942, obtendo uma vitória sem derramamento de sangue.
Bem ao sul do Círculo Polar Ártico, os soldados
da Brandemburgo também atuavam no Norte da África.
Rommel, sempre um comandante que gostava de correr riscos
para alcançar resultados, deu aos comandos carta branca
em suas atividades operacionais, embora os tenha proibido
de usar uniformes inimigos. Durante o mês de outubro
de 1941, eles fizeram duas tentativas de se infiltrar no Cairo
para contatar nacionalistas árabes e ajudá-los
a organizar uma insurreição contra os britânicos.
A primeira tentativa de chegar ao Cairo foi feita por meio
de uma operação de infiltração
marítima. Essa tentativa fracassou e a equipe retornou
às suas bases na Líbia. A segunda tentativa
consistiu em desembarcar uma equipe de paraquedas perto do
Cairo. Essa também terminou em fracasso. Outra equipe
partiu de carro e caminhão, atravessando o Egito perto
da cidade de Assiut para se encontrar com nacionalistas árabes.
Essas conversas germano-árabes incluíram Anwar
Sadat, que mais tarde se tornaria presidente do Egito.
No entanto, nada resultou desses encontros. Pouco antes da
capitulação de todas as forças alemãs
e italianas no Norte da África, em maio de 1943, os
membros sobreviventes da unidade na África foram retirados
e trazidos de volta à Alemanha. Em meados de 1943,
muitas unidades do Regimento foram deslocadas dos Balcãs
e participaram de ações para desarmar soldados
italianos que haviam se unido aos Aliados. Uma área
vital era a ilha de Kos, no arquipélago do Dodecaneso,
ao largo da costa da Turquia. Kos havia sido tomada por tropas
britânicas em setembro de 1943, e uma grande guarnição
de tropas italianas aliadas também estava presente.
Juntamente com forças paraquedistas da Luftwaffe, os
comandos participaram da retomada da ilha. Em 25 de maio de
1944, membros anexados ao SS-Fallschirmjäger-Bataillon
500, participaram da malsucedida Operação
Rösselsprung, uma operação aerotransportada
para capturar o líder partisan iugoslavo Josip Broz
Tito. Em setembro de 1944, decidiu-se que unidades de operações
especiais não eram mais necessárias. A Brandenburgo
tornou-se a Divisão de Infantaria Brandenburgo e foi
transferida para a Frente Oriental. Aproximadamente 1.800
homens (incluindo von Fölkersam) foram transferidos para
o SS-Jäger-Bataillon 502 do Coronel Otto Skorzeny
até o fim da guerra. Apenas o Regimento Kurfürst
manteve sua função original como unidade de
comandos. No final de 1944, a divisão foi equipada
com um Regimento Panzer, renomeada como Panzergrenadier-Division
Brandenburg e retornou à Frente Oriental, onde
estiveram envolvidos em combates intensos perto de Memel,
até sua retirada juntamente com a Divisão Großdeutschland
via balsa para Pillau, onde a divisão foi praticamente
aniquilada em combates intensos próximo à cidade
e apenas 800 homens conseguiram escapar para a estreita faixa
de terra de Frische Nehrung. Após a guerra alguns se
alistaram na Legião Estrangeira Francesa e lutaram
na Guerra
da Indochina (1945 a 1954), onde suas habilidades
se mostraram valiosas.