O pai da bomba atômica
Seria o brilhante cientista J.R. Oppenheimer um traidor ?
Quando a Segunda Guerra estourou em 1939, os alemães já tinham conhecimento da fissão nuclear e o governo americano resolveu criar secretamente um grupo de cientistas, entre eles Edward Teller e Ernest Lawrence, coordenados por Oppenheimer, para desenvolver a nova arma. Com o nome-código de projeto Manhattan, o ultra prioritário programa do Exército instalou os pesquisadores em um laboratório na cidade de Los Alamos, no Novo México, rigorosamente guardado e com as saídas severamente restringidas. Oppenheimer promoveu um ambiente de confiança e respeito mútuos que permitiu um progresso espantoso e com uma dedicação incansável manteve-se à frente de todos os acontecimentos daquele esforço complexo, mesmo prejudicando sua vida particular. Em menos de dois anos e gastos de US$ 2 bilhões, a primeira bomba atômica da História estava pronta para ser testada e os japoneses logo conheceriam seu terrível poder de destruição.
Preocupado, Oppenheimer anunciou publicamente sua oposição à nova superbomba, passando a ser alvo de uma investigação do FBI e da inveja de outros cientistas, ávidos por desacreditá-lo. O principal deles, Edward Teller, sonhando chefiar o novo projeto, insinuou que Oppenheimer teria feito amizade com comunistas na década de 30 e tentara influenciar os pesquisadores a não trabalharem na bomba de hidrogênio. Poderia a URSS ter descoberto a forma de fabricar uma bomba atômica sem espiar o que se fazia na América? Poderia ter havido traição em Los Alamos? Em 1954, J. Edgar Hoover, diretor do FBI, apresentou um relatório à Casa Branca no qual se apoiavam as acusações de que Oppenheimer seria um agente espião. Um processo secreto foi aberto pela AEC, durando três semanas, onde foram ouvidas mais de 40 testemunhas e produzidas mais de 3.000 páginas de relatórios, com colaboração integral do investigado, que se submeteu a interrogatórios duros e esgotantes durante três dias. O cientista não foi considerado culpado de ter entregado segredos a países estrangeiros, mas foi destituído de sua função na AEC, para satisfação pessoal de Teller. Só quatro dias antes de morrer Oppenheimer foi reabilitado perante a opinião pública: em 22 de novembro de 63, no mesmo dia que seria assassinado, o presidente John Kennedy anunciou que concederia o Prêmio Fermi ao físico, sendo a entrega feita por seu sucessor Lyndon Johnson. |
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