O 1º Destacamento Operacional de Forças Especiais
- Delta (1st Special Forces Operational Detachment - Delta
ou 1º SFOD-D), também
conhecido como Força Delta, é uma unidade de operações
especiais do Exército Americano, cujas missões
envolvem principalmente contraterrorismo, resgate de reféns,
ação direta e reconhecimento especial, frequentemente
contra alvos de alto valor. A Força Delta, juntamente com
suas contrapartes da Marinha e da Força Aérea consideradas
como a "elite da elite", são encarregadas de
realizar as missões mais complexas, secretas e perigosas,
autorizadas diretamente pelo Presidente e pelo Secretário
de Defesa. A unidade foi criada em 1977, após inúmeros
incidentes terroristas amplamente divulgados que levaram o governo
a desenvolver uma unidade antiterrorista em tempo integral. O
primeiro curso de treinamento durou de abril a setembro de 1978,
sendo foi certificada como totalmente operacional no outono de
1979, pouco antes da crise dos reféns no Irã. Em
4 de novembro de 1979, 52 diplomatas e cidadãos americanos
foram feitos reféns e mantidos na embaixada dos EUA em
Teerã, Irã. A Força Delta foi encarregada
de planejar e executar a Operação
"Eagle Claw", o esforço
para resgatar os reféns nas noites de 24 e 25 de abril
de 1980. Em pleno deserto iraniano, a meio caminho da capital,
a operação foi abortada devido a falhas em alguns
dos helicópteros CH-53D Sea Stallion e após
um desastre com um C-130 Hercules. Após a operação
fracassada, o governo percebeu que mais mudanças eram necessárias
e o 160º Regimento de Aviação de Operações
Especiais, também conhecido como "Night Stalkers",
foi criado para as missões que exigiam apoio aéreo.
Com uma estrutura semelhante à do 22º Regimento SAS
britânico, que inspirou sua formação, a unidade
está operacionalmente vinculada ao JSOC
(Joint Special Operations Command) e
sua sede fica em Fort Bragg, Carolina do Norte. Estima-se que
seu efetivo seja de aproximadamente 1.000 soldados, dos quais
cerca de 250 a 300 são treinados para conduzir operações
de comandos e os demais compõem pessoal de apoio ao combate
e administrativo. Estão assim organizados: Esquadrões
A, B, C, D (todos de Ações de Comandos), E (Tecnologia
de Aviação) e G (Operações de Força
Avançada - AFO); Esquadrão de Sinais; Esquadrão
de Apoio ao Combate; Diretoria de Desenvolvimento de Combate;
e Seleção e Treinamento. Dentro de cada Esquadrão,
existem três Tropas: as Tropas 1 e 2 (Assalto) e a tropa
3 (Reconhecimento). Cada Tropa tem quatro Equipes, geralmente
com cinco ou seis membros em cada uma. A maioria de seus operadores
e membros de apoio ao combate são selecionados do 75º
Regimento de Rangers, embora a seleção esteja aberta
a outras unidades de operações especiais e convencionais
do Exército e de outros ramos militares. Os candidatos
devem ser qualificados paraquedistas ou se voluntariar para treinamento
aerotransportado e devem ser elegíveis para um nível
de autorização de segurança "secreto"
e não devem ter sido condenados por corte marcial ou ter
ação disciplinar registrada em seu arquivo pessoal
militar. A seleção é realizada duas vezes
por ano (do final de março ao final de abril e do final
de setembro ao final de outubro) em Camp Dawson, Virgínia
Ocidental, e dura quatro semanas. O curso começa com testes
padrão, incluindo flexões, abdominais e uma corrida
de 3,2 km, um nado invertido e uma natação de 100
m totalmente vestido. Os candidatos então são submetidos
a uma série de cursos de navegação terrestre,
um dos quais exigia que percorressem 29 km à noite carregando
uma mochila de 18 kg. A cada desafio subsequente, a distância
a percorrer e o peso da mochila aumentam, enquanto o tempo concedido
diminui. O desafio final é uma marcha de 64 km com uma
mochila de 20 kg em terreno acidentado. A parte mental do teste
começa com inúmeros exames psicológicos,
onde cada candidato é então chamado para enfrentar
uma banca de instrutores da Delta, psicólogos da unidade
e seu comandante, que fazem uma série de perguntas e depois
analisavam cada resposta e gesto para exaurir o candidato mentalmente.
O comandante então se aproxima do candidato e o informa
se ele foi selecionado. Aqueles que passam pelo processo de triagem
são submetidos a um intenso Curso de Treinamento de Operadores
(OTC) de seis meses, para aprender técnicas de
contraterrorismo e contra-inteligência, e treinamento com
armas de fogo e outras armas. Normalmente, de uma turma de 120
candidatos, apenas de 12 a 14 concluem a seleção.
As fases do Curso incluem: Tiro ao Alvo, no qual os alunos praticam
tiro sem mirar em alvos fixos a curta distância até
atingirem precisão quase completa, passando então
para alvos móveis. Uma vez aperfeiçoadas essas habilidades
eles passam ao simulador e eliminam "inimigos" em salas
– primeiro um, depois dois, depois três e, finalmente,
quatro. Quando todos os alunos demonstram a habilidade necessária,
"reféns" são adicionados ao treinamento;
Demolições e Arrombamento, onde aprendem a abrir
diversos tipos de fechaduras, incluindo as de carros e cofres,
aliado ao treinamento avançado em demolição
e fabricação de bombas utilizando materiais comuns;
Habilidades Combinadas (com suporte de agentes do FBI), em que
praticam tiro de precisão no simulador e em outras instalações
para se prepararem para operações com reféns
e contraterrorismo, com tropas de assalto e atiradores de elite
trabalhando em conjunto. Eles praticam situações
terroristas ou com reféns em edifícios, aeronaves
e outros cenários. Todos os alunos aprendem como posicionar
atiradores de elite ao redor de um prédio com reféns.
Embora a Delta possua tropas especializadas em atiradores de elite,
todos os membros passam por esse treinamento e sabe-se que munição
real foi usada nesses exercícios para testar os alunos
e construir confiança entre eles; Técnicas de Espionagem
(com assessoria de pessoal da CIA), onde são
ensinadas diferentes habilidades relacionadas à espionagem,
como pontos de encontro secretos, encontros breves, abordagens,
sinais de carga e descarga, sinais de perigo e segurança,
vigilância e contra-vigilância; Proteção
Executiva (com supervisão de agentes do Serviço
Secreto), aqui os alunos fazem um curso avançado de direção
para aprender a usar um ou mais veículos como armas defensivas
e ofensivas. Em seguida, aprendem técnicas de proteção
VIP e diplomática desenvolvidas pelo Serviço Secreto
e pelo Serviço de Segurança Diplomática;
e Exercício Final, onde se exige que os alunos apliquem
e adaptem dinamicamente todas as habilidades que aprenderam. A
Força Delta treina com outras unidades de operações
especiais estrangeiras para aprimorar táticas e fortalecer
o relacionamento com elas, incluindo o Regimento de Serviço
Aéreo Especial australiano (SASR), o Serviço
Aéreo Especial britânico (SAS)
e a Força-Tarefa Conjunta 2 do Canadá. A maioria
das operações atribuídas à Delta é
classificada, mas alguns detalhes se tornaram de conhecimento
público. Pelo serviço prestado durante a Operação
"Urgent Fury" (1983), a invasão americana
de Granada, a Delta recebeu o Prêmio Conjunto de Unidade
Meritória. A unidade recebeu o Prêmio de Unidade
Valorosa por heroísmo extraordinário durante a missão
de resgate de reféns na Prisão Modelo e a captura
de Manuel Noriega em dezembro de 1989 durante a Operação
"Just Cause" no Panamá. Os operadores
do 1° SFOD-D do Esquadrão C também
estiveram envolvidos na Operação "Gothic
Serpent" (1993) na Somália. Dois desses operadores,
o Sargento-Mor Gary Gordon e o Sargento de Primeira Classe Randy
Shughart, receberam postumamente a Medalha de Honra por suas ações
em 3 de outubro de 1993, durante a Batalha
de Mogadíscio. Durante a Operação
Liberdade Duradoura e a Operação Liberdade do Iraque,
o 1º SFOD-D recebeu a Citação Presidencial
de Unidade por operações de combate no Afeganistão,
de outubro de 2001 a março de 2002, e no Iraque, de março
de 2003 a dezembro de 2003. Em 26 de outubro de 2019, operadores
da Força Delta, acompanhados por membros do 75º Regimento
de Rangers, realizaram uma incursão ao complexo do líder
do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, que resultou em
sua morte. O Departamento de Defesa controla rigorosamente as
informações sobre a Força Delta e geralmente
se recusa a comentar publicamente sobre a unidade altamente secreta
e suas atividades, a menos que a unidade faça parte de
uma grande operação ou que um membro da unidade
tenha sido morto. Os operadores da Delta recebem uma enorme flexibilidade
e autonomia durante operações militares no exterior.
Padrões de apresentação pessoal mais flexíveis,
como penteados civis e barba, são permitidos para possibilitar
que os membros se misturem e evitem ser reconhecidos como militares.
Nota
do Editor: Em 2002 quando iniciamos as atividades de
nosso site, a primeira unidade de Operações Especiais
sobre a qual escrevemos foi a Força Delta, e passados
23 anos, achamos por bem atualizar as informações
já que neste período ocorreram diversas missões,
nos mais diversos cenários operacionais, onde seus membros
tiveram uma atuação relevante.