Combatentes




Tenente do Exército Imperial - Japão

Segunda Guerra Mundial
Atuação: Peleliu, Ilhas Marianas - 1944

A Batalha de Peleliu, batizada de Operação Stalemate II pelos militares americanos, foi travada durante a Campanha das Marianas na Segunda Guerra Mundial, de 15 de setembro a 27 de novembro de 1944, na ilha de Peleliu. Os fuzileiros da 1ª Divisão de Fuzileiros Navais e depois soldados da 81ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA lutaram para capturar uma pista de pouso na pequena ilha de coral. Esperava-se que o objetivo fosse conquistado em quatro dias, no entanto, o Exército Imperial Japonês desenvolveu novas táticas de defesa e fortificações bem elaboradas, que permitiram uma forte resistência e estendeu a batalha por mais de dois meses. Em 1944, a Peleliu havia sido ocupada por cerca de 11.000 japoneses da 14ª Divisão de Infantaria e o coronel Kunio Nakagawa liderou os preparativos para a defesa da ilha, optando por abandonar a velha estratégia de tentar deter o inimigo nas praias, onde seriam expostos a tiros navais. Os japoneses usaram o terreno acidentado a seu favor, construindo um sistema de bunkers, cavernas e posições subterrâneas no ponto mais alto de Peleliu, um conjunto de colinas e cristas íngremes localizadas no centro da ilha com ampla vista do terreno abaixo, todos interligados como um "favo de mel", o que permitia evacuar ou reocupar posições conforme necessário e tirar vantagem da redução das linhas internas. Essas mudanças forçariam os americanos a uma guerra de desgaste, exigindo mais recursos. Os japoneses estavam bem armados com morteiros de 81 e 150 mm, canhões antiaéreos de 20 mm, apoiados por uma unidade de tanque leve e um destacamento antiaéreo. Na extremidade norte das praias de desembarque, apelidada pelos fuzileiros americanos como "the Point", buracos foram feitos na barreira de coral ao longo do trecho de 3,2 km para acomodar um canhão de 47 mm e seis canhões de 20 mm em cada posição e as praias também foram preenchidas com milhares de obstáculos principalmente minas e um grande número de projéteis de artilharia pesada enterrados com os fusíveis expostos para explodir ao serem pressionados.

Os fuzileiros navais americanos desembarcaram em Peleliu às 08h32 do dia 15 de setembro, com o 1º Regimento ao norte em "White Beach" e os 5º e 7º Regimentos ao centro e ao sul em "Orange Beach". Conforme as embarcações se aproximavam das praias, os fuzileiros foram pegos em um fogo cruzado quando os japoneses dispararam a artilharia do alto das colinas enquanto as posições defensivas nas praias abriram fogo com os canhões de 47 e 20 mm. Em menos de uma hora, os japoneses haviam destruído 60 veículos de desembarque LVTs (Landing Vehicle Tracked) e DUKWs. A confusão na praia era geral e os fuzileiros americanos tiveram que lutar arduamente por suas vidas. Ao final do primeiro dia, haviam mantido suas posições na extensão de 3,2 km, mas sem progredir muito e ao custo de 200 mortos e 900 feridos. No segundo dia, o 5º Regimento se moveu para capturar o campo de aviação, correndo através da pista, suportando fogo de artilharia pesada das colinas ao norte e sofrendo pesadas baixas no processo. Depois de capturar o campo de aviação, eles avançaram rapidamente para a extremidade leste de Peleliu, deixando os defensores do sul da ilha para serem destruídos pelos 7º Regimento, mas esta área foi fortemente defendida pelos japoneses que ainda ocupavam numerosas casamatas. Os fuzileiros americanos ainda tinham que lidar com as altas temperaturas (média de 45°C) e a água contaminada por resíduos de oléo, o que causou inúmeras baixas por exaustão de calor. Ainda assim, no oitavo dia, o 5º e o 7º fuzileiros navais haviam cumprido seus objetivos, assegurando o campo de aviação e a porção sul da ilha, embora permanecesse sob a ameaça do fogo da artilharia japonesa. Em 26 de setembro (D + 11), aeronaves Corsair F-4U pousaram na pista e começaram missões de bombardeio de mergulho em Peleliu, disparando foguetes e lançando napalm nas entradas das cavernas. A fortaleza no final das praias de desembarque ao sul, “the Point”, continuou a causar pesadas baixas aos fuzileiros navais devido ao fogo das casamatas.

No entanto, um pelotão do 1º Regimento começou a derrubar as posições de armas japonesas, uma por uma, usando granadas e combate corpo-a-corpo. Depois de capturar "the Point", o 1º Regimento se moveu para o norte a fim de atacar as posições de artilharia pesada nas colinas, efetuando inúmeros ataques mas os fuzileiros navais sofriam baixas cada vez maiores à medida que avançavam lentamente pelas cristas. Os japoneses novamente mostraram uma disciplina de fogo incomum, atacando apenas quando podiam causar o máximo de baixas e os atiradores japoneses começaram a mirar nos carregadores de maca, sabendo que, se eles fossem feridos ou mortos, mais teriam que retornar para substituí-los. Os japoneses também se infiltravam nas linhas americanas à noite para atacar os fuzileiros em suas trincheiras. Em seis dias de combate, o Regimento havia perdido 70% de seu efetivo. Diante disso, os comandantes americanos adotaram táticas de cerco, usando escavadeiras e tanques lança-chamas. Em 30 de outubro, a 81ª Divisão de Infantaria assumiu o comando de Peleliu, levando mais seis semanas, com a mesma tática, para reduzir os bolsões de resistência japoneses. Em 24 de novembro, Nakagawa proclamou "Nossa espada está quebrada e nossas lanças acabaram" e então queimou suas cores regimentais e realizou o suicídio ritual (hara-kiri). Ele foi postumamente promovido a tenente-general por sua bravura na defesa de Peleliu. Em 27 de novembro, a ilha foi declarada segura, encerrando a batalha de 73 dias. No total, a 1ª Divisão de Fuzileiros Navais americana sofreu mais de 6.500 baixas durante seu mês em Peleliu, mais de um terço de toda a divisão. A 81ª Divisão de Infantaria também sofreu pesadas perdas, com 3.300 baixas durante seu mandato na ilha. Estatísticos do pós-guerra calcularam que as forças dos EUA precisaram de mais de 1.500 cartuchos de munição para matar cada defensor japonês. As perdas do Exército Imperial também foram enormes, contabilizando 13.600 mortos, com apenas 400 soldados capturados.

O tenente da ilustração usa o uniforme padrão do Exército Imperial japonês Type 98 (1938). O blusão (98 Shiki-Gun-i) tinha uma gola reta e dobrada onde era aplicado o distintivo com sua patente (listras amarelas e vermelhas horizontais com uma estrela no meio), cinco botões frontais e dois ou quatro bolsos internos com abas recortadas (dependendo do fabricante). Calças compridas ou pantalonas (Bousyo-ko) eram usadas com botas de couro de cano alto. Uma camiseta sem colarinho de lã ou algodão branco (Bousho Jyu-han) era usada sob o blusão. Originalmente produzido na cor khaki, o uniforme foi posteriormente produzido em vários tons de verde. O capacete é do modelo Type 90, com uma estrela de metal soldada na parte frontal, redes de camuflagem e uma aba de algodão na parte de trás, muito útil para proteger do calor causticante das ilhas do Pacífico. No cinturão de couro existem pequenos compartimentos para munição extra e pode-se ver uma bolsa um pouco maior na parte frontal, também de couro, que poderia ser para levar um kit de primeiros-socorros ou objetos pessoais. Sua arma é uma pistola semi-automática Type 94 Nambu de calibre 8mm, considerada pouco confiável e de manutenção complexa, às vezes mais perigosa para seus usuários do que para o inimigo. Por isso, em uma situação de combates corpo-a-corpo sua espada Shin Gunto Type 3 talvez fosse mais efetiva. O pano branco, carregado transversalmente, serviria para o ritual do hara-kiri, já que a maioria dos oficiais e soldados japoneses preferia a morte do que a humilhação de se render ou ser capturado.




 

 



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Apresentamos os protagonistas das principais guerras do século XX, com o relato de onde e como atuaram, seus uniformes, suas armas e seus atos de bravura e heroísmo em combate. Histórias fascinantes que levarão o visitante a participar como coadjuvante dos eventos em que elas ocorreram. Para conhecer detalhadamente cada um destes valorosos soldados de infantaria, fuzileiros navais, paraquedistas e comandos de forças especiais, basta clicar nas janelas acima, por especialidade ou pela ordem em que foram incluídos os artigos nesta seção.

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